Vinicius Ricardo/Atom Fotografia
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A moda no Brasil tem recebido novos projetos criados por empreendedores cada vez mais jovens. Entre eles está a Eternal, marca criada em 2023 por Aref Halabi e seus sócios, Hamilton Agle e Eduardo Kryss, quando tinham 14 anos. A marca começou como um experimento entre amigos, motivado pelo desejo de aprender como funciona um negócio e explorar diferentes áreas, como os próprios fundadores contam. “A ideia surgiu entre amigos, com vontade de aprender e viver a experiência de criar algo juntos, mais do que como um negócio focado em lucro”, afirma Halabi.
Ainda na adolescência, o grupo via muitos jovens com dificuldades para encontrar peças de boa qualidade, preço compatível e identidade que dialogasse com suas rotinas. Foi esse diagnóstico que levou à criação de moletom que se tornou o produto símbolo da marca. “Entendemos que dava para criar algo diferente: um moletom de qualidade, com um design bonito e uma identidade que realmente refletisse o dia a dia do jovem”, diz ele.
Com essa proposta, a Eternal passou a ocupar espaço no guarda-roupa de adolescentes e jovens adultos. A marca se apresenta como uma iniciativa construída por jovens e para jovens, e de olho na qualidade do produto. “Sempre fizemos questão de usar o melhor tecido que conseguíssemos encontrar, ter acabamento bom e o bordado bem feito. Se é para fazer, vamos fazer bem feito”, afirma Halabi.
Segundo ele, o processo criativo parte do cotidiano dos próprios fundadores e do que eles observam entre seus pares. “Criamos aquilo que vemos no nosso dia a dia, o que faz sentido para jovens como nós”, diz. Foi esse direcionamento que formou a identidade da Eternal desde os primeiros drops.
Luxo jovem e a construção de um novo premium brasileiro
Na história do trio, a percepção que tiveram sobre o mercado foi o ponto de partida da marca. Eles afirmam que identificaram peças com qualidade insatisfatória, preços pouco acessíveis e designs que não representavam a estética dos jovens de sua convivência. Por isso criaram uma marca pautada por qualidade e cuidado com acabamento, desde o início.
O compromisso com materiais de melhor padrão, como o moletom 3 cabos, faz parte da operação desde os primeiros lançamentos, mesmo que isso encareça o produto final. Halabi afirma que esse posicionamento sempre foi natural para o grupo e não derivado de uma estratégia de luxo. A marca, de fato, não se define como de luxo, mas se dedica a manter um padrão elevado de produção, de acordo com o que contam.
A identidade da Eternal também está ligada ao fato de ser criada por adolescentes que produzem a partir das referências que conhecem e consomem. Segundo Halabi, essa proximidade com o público facilita o diálogo e orienta decisões de design e estilo.
O impacto social dentro do modelo da marca
Com o crescimento da Eternal, os fundadores passaram a incorporar ações sociais ao modelo do negócio. Halabi afirma que isso ocorreu de forma natural, a partir da percepção de que a marca poderia contribuir com outras iniciativas. “Percebemos que ela poderia ser um meio para ajudar outras pessoas também”, diz.
A parceria com o projeto Tereza, que reúne mulheres egressas do sistema prisional, foi estruturada como parte da produção. Em vez de doações, a marca passou a desenvolver peças com o trabalho dessas artesãs. “Colaboramos com a dignidade delas por meio do trabalho e das suas habilidades”, afirma Halabi.
Os sócios relatam que têm recebido mensagens de jovens interessados em participar, doar ou até criar produtos com o projeto Tereza. “Alguns até procuraram o Tereza para fazer suas próprias peças e coleções”, afirma Halabi. Segundo ele, isso demonstra que a campanha gerou repercussão dentro da própria comunidade jovem.
Halabi também aponta outros sinais que, para ele, indicam o impacto da parceria: a procura de jovens por projetos semelhantes, a visibilidade gerada para o trabalho das artesãs e os relatos das próprias participantes do Tereza. “Quando alguém da nossa idade vê o que estamos fazendo, isso muda a forma de olhar para impacto.”
Entre o preço, a qualidade e o propósito
A Eternal estrutura seu processo produtivo com planilhas detalhadas de custos antes de lançar qualquer peça. “Montamos uma planilha completa com todos os custos: tecido, bordado, etiqueta, EcoBag, produção com o Tereza, design, fotografia, logística”, explica Halabi.
Outra iniciativa é a “Abraço Eterno”, em que o cliente doa um casaco usado para receber desconto em uma peça nova, também foi incorporada ao modelo. Segundo Halabi, a marca abriu mão do lucro nessa operação. “O preço final cobre os custos do casaco e da distribuição das peças doadas. Abrimos mão do nosso lucro”, afirma.
Além do aspecto social, a marca afirma adotar medidas ambientais proporcionais ao seu tamanho atual. Um exemplo é a substituição de sacolas por EcoBags produzidas pelo projeto Tereza. A busca por materiais reciclados também está nos planos, mas ainda depende de encontrar alternativas que mantenham a qualidade desejada. “Quando encontrarmos algo que faça sentido, vamos testar”, diz Halabi.
A operação é documentada nas redes sociais, com registros de produção, encontros e entregas, em linha com a visão de transparência defendida pelos fundadores. “Achamos importante que as pessoas vejam claramente o que está sendo feito”, afirma Halabi.
Para os sócios, a expansão da marca está nos planos, com novas peças, coleções de outras estações, além de produtos que dialoguem com o lifestyle jovem. Halabi afirma que o crescimento deve ser acompanhado pela manutenção dos valores que sustentam a marca desde o início: “sucesso, para nós, não é só dinheiro. Sucesso é usar aquilo que você tem para melhorar a vida de alguém”.
Fonte:Forbes
