Marcas endossam projetos regenerativos e de conservação da floresta, enquanto a Petrobras inicia perfuração de poço em busca de petróleo
A COP (Conferência das Partes) chega a sua trigésima edição entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém (PA), como um novo sopro de esperança para conter desastres climáticos. Mas falta fôlego.
A COP29, que ocorreu em Baku, no Azerbaijão, recomendou um aporte de US$ 300 bilhões anuais em ações direcionadas a países em desenvolvimento até 2035. Especialistas calculam, no entanto, que seria necessário um montante de US$ 1,3 trilhão. Quem paga essa conta?

O uso de energias renováveis no lugar de combustíveis fósseis – o petróleo – é uma das alternativas reiteradas pela ciência para que se cumpra o Acordo de Paris, assinado por 195 países em 2015. Dele, veio a meta de limitar o aumento médio da temperatura da Terra para 1,5°C, ou abaixo de 2°C – condição primordial para evitar pontos de não retorno em diversos biomas a partir de 2040.
Mas António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), já avisou que “não conseguiremos frear o aquecimento global abaixo de 1,5°C nos próximos anos”. A declaração foi feita durante reunião da Organização Meteorológica Mundial (OMM), em Genebra, na Suíça, no dia 22 de outubro.
Sabotagem
Sediada no coração da Amazônia, a conferência sobre mudança climática da ONU enfrenta situações contraditórias. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a perfurar o primeiro poço na bacia da Foz do Amazonas, a 175 km da costa do Amapá. A exploração de petróleo abrange também as bacias de Santos e Campos, com a concessão de cinco novas áreas. As decisões sustentam que o petróleo é compatível com a transição energética.
A COP30 encara ainda a desinformação e o descrédito com eventos extremos, já alertados pela natureza na forma de ondas de calor, seca, tempestades, inundações – e mortes. Até agora, apenas 62 das 195 nações signatárias do Acordo de Paris apresentaram planos.O poder simbólico do encontro embrenhado na floresta contrasta com o caráter diplomático, lento e complexo de um evento dependente de negociações em tempos de negação. Pactos imediatos são improváveis.
Leia a íntegra da reportagem na edição impressa de 3 de novembro.
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Fonte:Propmark